Os cinco segredos que o Tejo guarda

Por José Manuel Moroso

Partir à descoberta da região do Tejo é um dos mais aliciantes desafios e ao qual acabamos sempre por atribuir nota alta. Antes de mais, é uma terra que respira história, desde logo pela sua monumentalidade onde imperam, lado a lado, impressionantes exemplos arquitectónicos dos estilos Manuelino e Gótico.

Mas a vida do Tejo faz-se também de tradição vitivinícola e aqui tem comandado, nos últimos anos, a palavra qualidade. Com 12.500 ha de área de vinha e uma produção anual de 60.000.000 de litros, cresceu-se em volume e em valor referente aos números da exportação. Para este êxito, contribuem três terroirs distintos cada um com as suas características bem firmadas e que nos propiciam vinhos diferentes, quase que feitos ao gosto de cada um.

O Bairro, na margem direita do Tejo, é um desses terroirs, zona onde prevalecem os solos argilo-calcários e alguns xistosos (numa área perto de Tomar). Estes são os solos com maior aptidão para os vinhos tintos e onde prevalecem as castas Castelão, Alicante Bouschet e Syrah.

Já o Campo – outro terroir, este conhecido como Lezíria do tejo -, é a área que sofre inundações periódicas, que originam solos muito férteis. Só que esta fertilidade (esta abundância, por assim dizer) está associada a uma menor concentração das uvas, dando origem a vinhos com um baixo teor alcoólico. É a zona de eleição para os vinhos brancos.

Por último, a Charneca (zona Sul do Tejo, na sua margem esquerda), distingue-se pelos seus solos arenosos, menos férteis, é verdade, mas onde se fazem sentir as temperaturas mais elevadas, logo com uma maior maturação das uvas, a oferecerem uma maior versatilidade aos produtores, que fazem com elas lotes para brancos, tintos, rosés, espumantes, licorosos e colheitas tardias.

A esta rica diversidade de solos, junta-se outro importante factor de sucesso: a casta Fernão Pires, que para além de ser a casta branca mais cultivada em Portugal, é a mais expressiva na região do Tejo. Conhecida também como Maria Gomes, a Fernão Pires dá-nos vinhos frescos, frutados e com baixo teor de álcool, trazendo-nos até à boca aromas florais e uma acidez média. Desde que haja humidade no solo, a Fernão Pires prospera e a sua versatilidade permite fazer uma enorme variedade de vinhos.

Caracterizado também por ser uma região de vinhos equilibrados e com aromas frutados, o Tejo preocupa-se ainda por casar as suas colheitas com uma invejável oferta gastronómica, quer falemos de peixes, quer falemos de carnes. História, vinho, uma casta única e uma gastronomia rica ficariam ‘órfãs’ sem o seu grande mentor: o rio Tejo e o seu importante papel em todo este processo coroado de êxito.

Tejo é a primeira Região convidada e sobe ao Palco Adegga. No ano em que damos início às comemorações de 10 anos do Adegga WineMarket, apresentamos novidades no programa e, pela primeira vez, o Adegga convida uma região de vinhos a mostrar algumas das suas referências. Os Vinhos do Tejo ganham um espaço próprio dentro do Adegga WineMarket, com 14 produtores a apresentar uma selecção de vinhos com diferentes perfis. Duas provas comentadas com apresentação do jornalista Fernando Melo – “Fernão Pires em boa companhia” e “Os terroirs do Tejo e seus segredos” – sobem ao Palco Adegga , um espaço novo criado para dar destaque aos temas que se integram na experiência do evento.

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